Festival Internacional de Circo 2020

Versão híbrida

O FIC 2020 está começando!

Devido a pandemia causada pelo COVID-19, com suas medidas restritivas de isolamento social, e, principalmente, os severos impactos sobre a classe artística em geral, precisávamos encontrar meios de realizar o FIC e contribuir para atenuar essa situação desoladora.

Nossa primeira preocupação foi a de, minimamente, contribuir e abraçar os profissionais e representantes da produção em circo estabelecidos, em especial, na cidade de São Paulo, sem restringir a participação de representantes de outras regiões. Como tal, aumentamos significativamente o número de atividades e de profissionais beneficiados.

Outra preocupação foi ampliar o processo curatorial, através de um maior número de curadores, com orientações e ações afirmativas voltadas a grupos de mulheres, pessoas não brancas, LGBTQIA+, PcD’s, dentre outros.

Essa edição segue modelos já realizados por diversas instituições e outros festivais.O formato adotado possuirá inúmeras exibições de conteúdos audiovisuais (números e espetáculos) e uma parcela de apresentações presenciais (numa lona e num teatro da cidade), bem como dezenas de intervenções artísticas de rua. Haverá ainda, uma série de mentorias, oficinas e debates que serão realizados através de plataformas digitais.

O Festival acontecerá a partir dos últimos dias de novembro e irá até o dia 10 de dezembro, quando se comemora o dia do palhaço. Os primeiros processos de seleção dos participantes terão início já no dia 21 de outubro.

Teremos muito trabalho pela frente. As condições atuais o tornam mais complexo, mas estamos empenhados e focados nesse propósito de resistência, diversidade e empatia.

Joca Paciello – Diretor Geral
Fernando Sampaio – Presidente
Elaine Frere – Tesoureira
Regazzoni e Tressi Pro. Culturais – Produtora Executiva

Realização: Associação dos Amigos do Centro de Memória do Circo

Circo sempre presente

A cidade de São Paulo sempre foi uma referência em arte circense. Desde os Modernistas de 22, que elegeram Piolin como símbolo da arte popular, vibrante e brasileira, a expressão que buscavam para seu movimento, a linguagem circense marcou sua presença. A nossa cidade foi pioneira em formação, nos anos 80, com as primeiras escolas de circo do país que transformaram seu modo de produção e influenciaram outras linguagens artísticas. 

Por ter amplitude de expressão e reunir diversas artes em si, o circo tem imenso alcance popular, mas, muitas vezes, sofreu o preconceito de ser tratado como mero entretenimento. Hoje pela intensa produção de espetáculos, diversidade de companhias, grupos e trupes, principalmente pela base trazida pelas escolas de circo – que já foram muito fortes – como também pelos diversos centros de treinamento que espelharam pela cidade, temos grande quantidade a alta qualidade expressiva das artes do Circo. Já foi uma constante a saída de artistas daqui para trabalhar na Europa e EUA, bem como nossos grupos e cias. serem as atrações de diversos festivais nacionais e internacionais. 

A vocação da cidade para ter seu próprio festival sempre foi presente e há três anos se tornou uma realidade com a chegada do FIC – Festival Internacional de Circo. Diversos artistas, produtores e pesquisadores que lutam pelo Circo fizeram sua síntese pela Associação dos Amigos do Centro de Memória do Circo, que concorrendo e vencendo os editais da Secretaria Municipal de Cultura construíram um marco na agenda da cidade.

A primeira edição do FIC – Festival Internacional de Circo da cidade de São Paulo, em 2018, já disse ao que veio no seu slogan:  “O Circo veio para ficar!”  Ocupou ludicamente o Centro Esportivo Tietê que passou a ser chamado de Cidade do Circo.  Em 2019, o estímulo à produção, fomentando novas criações em torno de temáticas da diversidade gerou espetáculos impactantes que foram muito além dos tradicionais espetáculos de variedades montados para festivais. Suas mostras competitivas deram visibilidade e destacaram importantes trabalhos de pesquisa artística. Suas edições, sempre com acesso gratuito à população, com ações variadas e também descentralizadas, atraíram a média de 25 mil pessoas a cada edição.

Agora, em 2020, o enfrentamento da pandemia, que fez adiar sua realização presencial, deu o ambiente para aquilo que o mundo circo sabe fazer melhor, agregar pessoas, abrigando a todos sob diversas lonas imaginárias, impulsionando a força da solidariedade e o valor da diversidade. O resultado de apresentações on line e híbridas – com reduzido público presencial, sob todos os protocolos sanitários somada à difusão pela internet – gerou um novo modelo que veio para transformar o fazer circense e ampliar as possiblidades de intercambio artístico. 

A abertura do FIC 2020 marca também a abertura da Praça de Circo São Paulo, o primeiro espaço público permanente para o recebimento de lonas itinerantes e atividades circenses da cidade. Uma conquista esperada por Circos do país inteiro. 

É inevitável a capacidade de sobrevivência e resiliência das artes do circo, que atravessaram guerras, enfrentaram momentos obscuros da história, ditaduras e perseguições, momentos duros como esse de peste, sofreram enormes preconceitos, se reinventaram sempre e nunca abandonaram sua missão de diversão, sua representação constante da aventura humana e sua imensa criatividade capaz de recuperar o sorriso diante de toda e qualquer dificuldade, sobretudo, para revelar o quanto, generosamente, sua presença dá sentido às nossas vidas.   

Hugo Possolo
Secretário Municipal de Cultura

Uma edição muito especial

A presente edição do Festival Internacional do Circo da cidade de São Paulo – FIC 2020 será marcante e distinta das anteriores. Essa distinção se deve a diversos fatores. O mais óbvio deles é a difícil construção de um festival dessa magnitude diante de restrições sanitárias, isolamento social e demais incertezas causadas pela pandemia da Covid-19.

No final de setembro ainda não tínhamos clareza da possibilidade de realização e nem do formato a ser implantado. Inspirados pela chegada da primavera, entendemos que era um momento de florescer, colorir e germinar. 

Artisticamente fizemos a opção por um festival híbrido.  A maioria das atrações acontecerão de maneira virtual/online. Uma pequena parcela, presencialmente. As apresentações presenciais acontecerão na lona montada na futura cidade do circo e no teatro Flávio Império. Haverá ainda uma centena de intervenções de artistas de rua, em diferentes regiões da cidade.

A escolha pelo formato digital pode ter restringido a magia e o encanto do picadeiro. Entretanto, permitiu uma abordagem artística muito mais ampla e empática. Por tudo que estamos passando, era mandatório tentar acolher artistas e profissionais circenses. Foram contemplados mais de 850 artistas e algumas dezenas de técnicos nos mais de 130 prêmios, nas inúmeras oficinas, debates, mentorias e apresentações. 

Se por um lado, perdíamos o calor do público, tínhamos a possibilidade de ampliá-lo. O universo digital permite um alcance e audiência muito maiores. Possibilita uma abrangência geográfica ilimitada. Uma pessoa em qualquer lugar e a qualquer momento poderá desfrutar da programação. Os conteúdos audiovisuais permanecerão disponíveis em nossas plataformas digitais por 180 dias. Essa longa exposição digital permitirá maior reconhecimento e oportunidades aos profissionais envolvidos.

Mais do que a tentativa de acolhida dos artistas, pretendemos no FIC 2020 reparar desigualdades através de ações afirmativas e inclusivas. Criamos uma curadoria composta igualitariamente por pessoas do gênero masculino e feminino. Dos doze curadores, 5 são pessoas negras, outros representantes da população LGBTQIA+. Foram destinados 50% dos prêmios as mulheres ou grupos majoritariamente compostos por mulheres. Um número expressivo de prêmios foi destinado as pessoas/grupos representantes das populações negra/LGBTQIA+. Há na programação presencial, o mesmo intuito de reconhecimento e afirmação, com um número relevante de grupos e coletivos da cidade de São Paulo pertencentes as populações negra e LGBTQIA+.  

Sintetizando essa urgente e necessária reparação social, nosso homenageado do FIC 2020 é o artista negro Bruno Edson. Aos 80 anos, segue equilibrando-se pelos picadeiros da vida. Nosso mais profundo respeito e admiração a essa referência circense.

Tivemos o integral apoio da Secretaria Municipal de Cultura (SMC). Mais que patrocinadores, foram nossos parceiros. Nossa gratidão aos profissionais da SMC. E em especial, ao palhaço/secretário Hugo Possolo pela liberdade, compreensão e apoio irrestrito ao que pretendíamos fazer. 

Um mais que especial destaque e reconhecimento a nossa CURADORIA (bem maiúscula mesmo). Um lindo e importante trabalho que certamente será a principal marca deste Festival. Composta por representantes de diversos matizes, segmentos e linguagens circenses. Um grupo muito sensível. Uma capacidade enorme de propor alternativas, reparar injustiças e criar oportunidades. Se o FIC teve pouco tempo para ficar em pé, os curadores tiveram apenas duas semanas para analisar mais de 900 inscrições. Um trabalho árduo e comprometido. Muitíssimo obrigado. Vocês são demais!

Ao Fernando Sampaio meu carinhoso abraço pelo convite feito, por sua enorme generosidade e, principalmente, paciência.

Um beijo muito especial a Julieta Zarza pelos caminhos mostrados, pelas instigações e apoio incondicional nessa empreitada.

Gratidão ao FIC.
Viva o Circo!!!
Joca Paciello
Diretor Geral Fic 2020